Parece que um dia ela vai voltar e contar como foi essa sua longa viagem. Falará sobre os lugares que visitou, as pessoas…e de súbito, nos dará um abraço e um beijo na testa e irá embora, dessa vez para sempre. Sua missão já está concluída. Seu legado já enraizado em seus descendentes, mas sua presença, sua presença…
Um último almoço com você, sorrindo, olhando orgulhosa…
Capítulo Final
Então, ele dormiu tarde, sabendo que o Sol não viria tão cedo. O sábio havia lhe contado tempos atrás, mas estava descrente até aquele momento, quando apenas os olhos que unicamente acreditava lhe contaram a verdadeira história. Não poderia imaginar tamanha escuridão. Não era natural. Não poderia ter como origem, as mãos de milhares de homens.
Todos já teriam caido lá pelo fim daquela noite.
Arrastando-se até o ponto de luz lá no alto Tão distante,… tão perto as armadilhas Perto de sucumbir, achava nas memórias o fôlego O último suspiro veio da saudade.
Ás vezes é difícil ficar com os olhos abertos, porque não consigo te imaginar aqui do meu lado.
Uma caixinha de fósforo
Tenho estado com uma caixa de fósforo na mão Pronto para começar um incêndio Basta as toras estarem montadas A gasolina cuspida sobre elas Que a noite será longa e deixará marcas
Cuidado para não se queimar Cuidado que o fogo já queimou Queimou “pra daná” Incandescente brasa, fumegante, cinzenta Moldou seus pesadelos das noites seguintes
Tá alto esse fogo mas eu vou pular Estou cheio do negro da noite Estar perto aquece, ilumina, me faz vivo Podia buscar a trouxa velha Não se compara!
Fui levado para longe de onde parti Caminho de volta não há Há apenas a chama para preencher esse oco Fui sendo forjado pelo tempo Pelas cicatrizes dos ciclos da lua
A dor do cessar do suspiro do fogo todos hão de conhecer A escuridão todos terão de enfrentar Nada que uma caixa de fósforo não ajude Nada que uma alma amiga não acenda Nada para uma lua tão grande acima de nós
Muito
A vida é …
Arranha-céu (Relato metropolitano)
Toma um banho frio Refresca a alma Alivia os pesadelos Blindagem para o amanhecer na polis Trajeto árduo ao dever
O Sol queima Ardente Menos como Luz mais como Ácido Polimerizando o estresse Conurbando as divergências Tensões Caos
Chega ao escritório Ar condicionado Clima perfeito Sinta-se no paraíso Que venha a primeira reunião
Tempestações condensadas ao redor
Turbilhão impetuoso Transtornou o caminho Desordenou os fatos Acelerou Subiu Desceu
Soprou contra o ritmo das mares Fez do forte o fraco Do inesperado o previsível Do certo a eterna dúvida Do preciso o volátil
Quem aguenta? fica de pé? veleja contra a corrente? Uma mão estendida é mais do que necessária Uma prece mais que bem-vinda
Quando o sol clarear tudo Toda nuvem será apenas sombra da tempestade passada
Sonhosis
Quando o sol raiar estarás pronto Para refletir tão belo espetáculo? Ou tudo estará tão fosco quanto ontem Tão seco como hoje?
Desabrocharás a casca da pedra Revelarás o magma quente e instintivo Quem disse, não diz mais Gritaram a aclamação
Culme do auge da exaltação A primavera tardará mas vindará Percebe?
De prontidão dai as mãos Planos são sonhos Vontades, prazeres, desejos
“Somos feitos de carne, mas temos de viver como se fôssemos de ferro.” “O sonho é a satisfação de que o desejo se realize.” Sigmund Freud
Vã consciência
E ele abriu os olhos e quis ver Ver mais do que os olhos podiam alcançar Para dentro da alma das pessoas Dentro dos corações pétreos Das almas abandonadas Dos sonhos frígidos
O mundo girava, mas giraria melhor Se ele entendesse a razão dos movimentos De onde não nasciam, Como morreriam, Quis estudar o cosmo dos pensamentos Dos instintos à razão Das paixões à traição
Mas tudo era muito humano Muito volátil, variável, mudável, inconstante E acima de tudo, ele queria padrões Exatos, precisos Fórmulas coesas, raciocínios sólidos
Quando deu por si O mundo rolava por sobre sua cabeça Não existia nada que pudesse fazer Apenas aguentar a enxaqueca E das cicatrizes abstrair Conhecimento e experiência
Anonymous Asked:
Existe alguém ou algo que lhe serve de inspiração para os poemas?
Provavelmente o mundo ao meu redor e as reflexões e conclusões que tiro dele.
Anonymous Asked:
Você realmente escreve esses poemas?! apesar do alto nível de depressão na sua alma, eles são muito bons, de verdade...
Eu que escrevi estes poemas, sim. Não há como negar o negativismo neles, mas dá para notar também uma esperança latente em alguns…
Acordar, Viver
Como acordar sem sofrimento? Recomeçar sem horror? O sono transportou-me àquele reino onde não existe vida e eu quedo inerte sem paixão.
Como repetir, dia seguinte após dia seguinte, a fábula inconclusa, suportar a semelhança das coisas ásperas de amanhã com as coisas ásperas de hoje?
Como proteger-me das feridas que rasga em mim o acontecimento,qualquer acontecimento que lembra a Terra e sua púrpurademente? E mais aquela ferida que me inflijo a cada hora, algoz do inocente que não sou?
Ninguém responde, a vida é pétrea.
(Carlos Drummond de Andrade)
Nada de novo
Já esperei o tempo passar, Fiz, falei, Mudei Achando que fosse para melhor Mas o novo, É pouco ou menos que o velho.
Enquanto estiver lendo isto
Lembra-te de quando tu eras pequeno E desejaste muito um doce Mas não te deram
Quando tu quiseste o Sol Mas veio a chuva E tudo foi por água abaixo
Luta pelo o que queres Pensa, planeja, aja Para ver se um dia, um dia, tu aches.
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